Quinta-feira, Agosto 13, 2009

Caos: fluxos meméticos de informações autônomas e descentralizadas por pulsos sensoriais aleatórios e inconscientes do plano comum.

Considerando todo o conteúdo pós-menarca prostrado, estático e obscuro sobre redes de tecido epitelial milimetricamente conectadas com a própria vontade de ter relações íntimas com a água, a menina dos olhos de medo, no auge da sua infância, vivencia fantasias forçadas por ombros largos e mãos fortes. Suficientemente fortes para arremessar porcelanas lapidadas em formato humano.

Sexta-feira, Janeiro 16, 2009

Psicologia de uma tampa de cerveja

Após ser desvinculada de sua mãe e arremessada como uma simples peça de metal em um curto intervalo de tempo, parece entrar em estado absoluto de solidão em meio a tantos gritos externos de euforia motivados pela abertura de uma nova porta de saída para o consumo desenfreado e duradouro do álcool. Encaminha-se para o chão, para a rua ou para o lixo, sofrendo alguns amassões em sua ilusória caminhada até algum outro ponto da Terra.

Segunda-feira, Janeiro 12, 2009

Hoje é segunda-feira

Tudo transforma-se em tempo quando a dúvida acaba
Qualquer cor, exceto o branco e o preto, faz parte das minhas roupas
O tecido não é mais aquele do ano passado
E o timbre da sua voz sutilmente desafinou-se

As horas parecem ser mais velozes do que os minutos
Lavo o meu rosto com a água que também lava o meu ego
As músicas têm um significado bem mais interessante
E o meu corpo que antes não era meu, trocou de epiderme

Hoje é segunda-feira
Acordei cedo pra vestir minhas meias novas
Debaixo da sola do meu sapato, estava você.

Domingo, Novembro 02, 2008

Avesso

A cidade cresce
Assim como cresce a inveja
E os ventos não sopram mais para o lado esquerdo

O Operário vira Burguês
E tudo volta ao normal do que sempre deveria ser
Como a minha camisa usada pelo avesso

O cão amigo expõe todos os caminhos incertos
As luzes incomodam-me e doem
O fogo provoca uma decepção em meus olhos
Mas sigo em frente
Sigo sem rumo
Sigo sem nada
Sigo sem lógica
Apenas com um cão.

Quinta-feira, Julho 17, 2008

José e Pietra no Paraíso

Pietra conheceu José que tinha medo de altura. Ao tentar aniquilar tal fobia, Pietra atirou-se da janela do décimo primeiro andar de seu edifício para demonstrar seu amor a José, mesmo depois de morta. Após alguns meses sem Pietra, José não suportou tamanha perda e atirou-se do décimo segundo andar porque acreditava que os espíritos masculinos voavam mais alto do que os femininos, e passariam a viver juntos na eternidade, sem fobia e em patamares passíveis de hierarquia sexual. A única coisa que se sabe é que Pietra cultivava bactérias em seu laboratório caseiro, e José sonhava em ser piloto de avião.

FIM.

Segunda-feira, Julho 14, 2008

Fugere

Avenida paralela, fumaça, suor, ficção. Uma calça jeans preocupada com o tempo que ninguém soube saber que ele sabia passar. Quebrado, o ventilador perde sua força persuasiva. Em copos de seda, a água esvaece-se. Meu sangue vira ágar, corrói um terço do que eu um dia chamei de cérebro, e a menina dos olhos de cetim adquire alergia a fitoplâncton.

Segunda-feira, Março 24, 2008

?!? x ...

Muda o mundo, cai o muro, desce o álcool
Enxergo tudo o que me faz rir de ponta cabeça
O violão torna-se um complexo de avenidas principais
E minha camisa manchada dança samba ao som do ventilador empoeirado

Sai a mesa, entra o jogo, sobe o preço da gasolina
Deito, rolo e pulo na própria desapropriação mental
A mãe natureza sempre precisa de alguns mega pixels
E o decepcionado artista do gelo come cerveja com gotas de chocolate.

Quarta-feira, Janeiro 23, 2008

O Parto

Entre a boca e o asfalto, nada consegue ser tão deslumbrante como todas as notas de uma sonoridade voluntariamente arrastada e ofegante do ato de dar à luz uma criança que está para ser inteiramente tragada pelo tempo e pelas entranhas de uma sociedade efetivamente derrotada pela futilidade.

Terça-feira, Agosto 28, 2007

Auto-retrato

Cansei de pensar em tudo
Vou mudar e pensar em nada
Porque o tudo vira nada
Finalizando em porra nenhuma

Não prefiro ser o que alguém vê
Queria manter o que não sou
Fazer passar o que ficou
Tentar saber o que não é

Acho que vou tentar
Penso que vou errar
Finjo que vou cair
Claro que vou beber

No meio do caminho tinha um prego
Tinha um prego no meio do caminho
Tomara que não fure o pneu
Garçom, a conta!

Quarta-feira, Julho 11, 2007

Elemento neutro

Cerveja, Vodka, Whisky, Conhaque, Rum, Vinho e Tequila
Bebeu tudo e caiu.
No outro dia, comprou uma WebCam
Fez de tudo para sair do universo das coisas sem universo
Tropeçou no nada e caiu no ócio
Sujou a toalha.

Tentou brincar com o controle remoto
Tantas repeticões de movimento e nenhum surto de interesse
Comeu todos os biscoitos com gotas de chocolate da dispensa.
Chamou seu cão e conversou sobre Teologia
Cigarro, cigarro, cigarro...
Queimou o dedo com o isqueiro.

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Quebrou o celular.

Ao engraixate: "Que horas são?"
"00:00"

Matou-se.

Sexta-feira, Março 09, 2007

Psicologia do lixo


Solitário ou não, fétido ou não, guarda o desprezo de uma sociedade idêntica ao seu conteúdo. Jamais escolherá o seu destino nem voltará a ser o que era antes. Apesar de toda a sua desventura, tem dó e se entrega àqueles que o procuram.

Sábado, Dezembro 23, 2006

A ascensorista do elevador do Shopping em época natalina

- Sobe.
- Desce.
- Boa Tarde.
- Obrigado.
- Até mais.
- Hoje tá um calorzinho chato, né?
- Desce.
- Sobe.
- Primeiro piso?
- Até logo.
- Feliz Natal.
- Sobe.
- Segundo piso?
- Terceiro piso?
- Garagem?
- Não, minha senhora. Tá subindo.
- Tá cheio, viu?

Durante todo o expediente, as mesmas palavras se repetem, sendo "sobe", "desce" e "Feliz Natal" as de maior freqüência. Ao final de sua jornada de trabalho, a ascensorista chega sã e salva em sua casa após sua caminhada diária de trezentos metros logo assim que desce do ônibus. Não tem filhos nem marido. Toma um banho, deita e dorme. Nunca muda sua rotina. No dia seguinte...

- Sobe.
- Desce.
- Feliz Natal.

Quinta-feira, Novembro 09, 2006

Flocos, duas bolas

O que será a força que puxa para o lado esquerdo?
Caí na pista de dança, achei uma baga acesa
And what porra is this?
Satisfaction

Comprei um canudo pra puxar o mundo
Engasguei-me com as ervas
O fogo queimou minha língua
(tu nem me viu com minha nota fiscal)

Sim, senhor. Vou verificar seu saldo
Rock, Raul, Retrato. Tudo com R, tá vendo?
Eu achava que meu azul era mais azul
Enganei-me com as luzes falsas do seu olhar

Não tenho nada a ver com seu dicionário
Já tomou quantas cervejas?
Vê se pega a chave em cima da geladeira
Acabou o filme

Onde está Lampião uma hora dessas?
Dormindo.

Sexta-feira, Outubro 27, 2006

O Grito


O desespero dos fracos, a fúria dos impacientes, o último gesto da vida.

Segunda-feira, Julho 31, 2006

Flor dos Anos

Deito e me desespero
Vejo sangue caminhando pelas paredes
Em direção ao meu sossego, ao meu medo
O sangue que se libertou da escuridão venosa
Vem agora cobrir-me de ânsia, sede, lágrimas

As formas intactas desfiguraram-se
Meus olhos encheram-se de fogo
Mas ainda enxergo a beleza das flores
Sempre com passos em direção aos dias perfeitos
Em paz

Paz que adormece uma criança
Amor.

Quarta-feira, Maio 10, 2006

Psicologia do Fósforo


Atrita-se com a aspereza do seu oponente, corrói-se de raiva, arde em chamas. Chamas que acendem o tão esperado cigarro. É inteligente. Entra em contato com o ar e enche de luz a obscuridade do ambiente. Faz as coisas ao seu redor se tornarem mais claras, objetivas e simples. Não grita, não chora. Morre sem dor, ouvindo a melodia crepitante do fogo. Dotado de um poder comparável ao daqueles de personalidade aguçada, desafiadora, indelével.

Sábado, Março 18, 2006

E agora, Maria José?

E agora, Maria José?
Enxergas apenas o chão da tua casa
Andas descalça sem sentir a latência dos teus pés
Não vês mais a escuridão se não houver velas
Por quê, Maria José?

E agora, Maria José?
Entregas tua vida à indiferença
Não sofres mais ao ver impunidade e injustiça
Não vês o vão negro do descaso
Por quê, Maria José?

Teus filhos querem ouvir tua voz, Maria José
O Mundo quer ouvir tua voz
Manifesta tua força feminina
Amarra teus punhos com os laços da coragem
Derrama teu sangue ácido cheio de ventura
És forte, Maria José?

Não digas que há cansaço, Maria José
Não decepciones aqueles que acumulam forças em ti
Aconchega-te no asfalto duro
Acostuma-te com as pedras
Devolve essas tapas na cara com a tua fúria de mulher
És forte, Maria José?

Não, Maria José. Ficaste sem ego, sem alma, sem rumo.
E agora?

Domingo, Janeiro 29, 2006

Psicologia de uma lata de cerveja


Uma esfinge de matéria alumínica cientificamente planejada, tanto de forma quanto de conteúdo, provocadora de alucinações, euforias, choros, lembranças amorosas, gestos de demência comportamental, frases desconexas e insinuações eróticas. Enfim, um poço de sensações.

Segunda-feira, Janeiro 02, 2006

Ano novo

Ano novo, alegria plena
Desde os mais remotos instantes
Mesmo que os mesmos instantes
Sejam só instantes

Ano velho, antes
Rompimento, durante
Ano novo, depois
Três momentos distintos que significam um simples truque de números
Calendário

Tempo, tempo, tempo...
Continuo em casa
Deito na mesma cama do ano passado
E meu travesseiro não resmungou um simples “Feliz Ano Novo!”
Afinal, travesseiros são objetos puramente realistas

Ano novo, ressaca
E quando tudo chega ao fim
Resta sonhar com o que virá
Melhoras?
Dia 2 de janeiro
Estou contemplando a verdadeira essência da vida
A mesmice.

Sábado, Dezembro 24, 2005

Natal

Frango e capital.

Terça-feira, Novembro 22, 2005

Notícias velhas em jornais desatualizados colados nas vitrines sujas de lojas abandonadas

Ao caminhar por uma dessas grandes construções empresariais chamadas de shopping center, percebi que muitas coisas interessam e nada é comprado pelo simples fato da ausência da coisa que nos move: dinheiro. Ele consegue satisfazer nossas mentes capitalistas de forma tão insana que o dia torna-se mais ensolarado até quando está chovendo.
Não fiz porra nenhuma de interessante, mas quando já estava de saída, notei uma loja sem nome, apenas com jornais colados na vitrine. Talvez estivesse à venda ou até mesmo em reforma. Isto não me interessou nem um pouco. O que realmente roubou toda a minha atenção foi a imensa quantidade de jornais e notícias presos àquele lugar. Dois fatos distintos que haviam acontecido entre um tempo relativamente longo estavam lado a lado, de uma maneira tão interligada que parecia até mesmo um filme de cortes minuciosamente planejados. Um espetáculo de arte, tragédia, humor, política e traseiros femininos. Enfim, um universo paralelo na hipotenusa dos catetos da puta que pariu.
Rapidamente, fui à banca mais próxima comprar um jornal, mas havia apenas coisas corriqueiras escritas por letras pretas datilografadas em páginas brancas ilustradas por figuras sem graça.

Terça-feira, Outubro 11, 2005

Alguma coisa

Quando se acha um tempo livre na vida, é sempre o ócio que o ocupa em primeiríssimo lugar. A falta do que fazer, a caminhada desesperada através dos corredores da casa e o abrir e fechar da geladeira. As habilidades extras com os dedos são aperfeiçoadas pela utilização exacerbada do controle remoto. Nada parece interessar. Talvez um livro de poesias pra distrair um pouco ou uma música empolgante. Quem sabe uma partida de xadrez contra o único amigo presente: o computador. E quando uma dessas atividades é consumada, entra mais um protagonista: o sono. Chega como um furacão derrubando todas as peças de xadrez, rasgando as páginas do livro de poesias, emitindo um som maior do que todas as músicas empolgantes. Então, ele vence a batalha. O sono. Logo em seguida, os sonhos aparecem. De início, pessoas remotas, figuras indistintas, uma verdadeira profusão. Quando começam a aparecer coisas lógicas, a consciência do sono chega e, de repente, ele termina. O sono termina, mas em troca vem a dor de cabeça de fim de tarde e de sono. Pra melhorar a situação, um gole d’água. Liga-se novamente a televisão, recomeçando a velha novela da monotonia.

Sexta-feira, Julho 22, 2005

Amanhã é 23

Chego aos 21 anos de idade exatamente a partir da hora neutra desta próxima madrugada. O fato da minha antecipação é que eu tenho absoluta certeza que amanhã não vou estar em perfeitas condições pra escrever algo nem que seja inútil.
O tempo é uma coisa engraçada e, ao mesmo tempo, assustadora. Lembro como se fosse hoje o meu primeiro dia de aula quando estava ainda me alfabetizando. Dia em que esqueci de pegar o ônibus escolar e fiquei esperando a minha mãe na escola até dar vontade de derramar as últimas lágrimas que sobravam nos meus olhos. De fato, todas as outras crianças haviam ido embora e só restava eu, ali, contemplando as cestas de basquete do pátio, que mais servia pra brincar de pega-pega do que para o próprio esporte.
Bolas de gude na areia e às vezes até no tapete da sala, corrida de tampinhas de garrafa, futebol de botão e esconde-esconde onde só existiam dois esconderijos: dentro do guarda-roupa e debaixo da cama, ambos empoeirados. E quando tudo isso vai deixando de existir, começam a aparecer as primeiras responsabilidades, além das primeiras opiniões realmente concretas a respeito de vários pontos distintos da grande complexidade da vida. E assim caminha até chegar a maioridade com a certeza de ser a pessoa mais sábia de toda a humanidade.
Pois bem. O tempo torna-se engraçado quando se pensa nessas passagens que parecem tão recentes e, por serem recentes, acabam tornando-se assustadoras, fazendo com que não se tenha a noção exata de quanto tempo nós possuímos pra aproveitar os bons momentos de forma satisfatória.
Bem, não sei como terminar isso, pois acabei de mover o pé esquerdo e senti uma leve dor. Acho que vou descansar um pouco. Boa noite.

Segunda-feira, Julho 04, 2005

Dez!

Nove!
Oito!
Sete!
Seis!
Cinco!
Quatro!
Três!
Dois!
Um!
...
De repente, o silêncio
...
À minha esquerda, havia apenas zeros.

Sábado, Junho 25, 2005

Tech Modern Life

Chic-chic de Avenue
Torresminhos molhados em titânio fundido
Fugir do ócio: ó, cio!
Semblantes de margaridas nuas e epilépticas
Alegria, alegria!
Subi no ônibus em Marrocos; socorraM-me
Explosões confusas de bombas de chiclete
Átomos, átomos!
Estou embarcando num chip
Pra voltar a lembrar de como eu era feliz e não sabia.

Quinta-feira, Junho 09, 2005

A Chuva

Quatro e vinte da manhã. Madrugada chuvosa. O frio, o som da água batendo na janela, no asfalto e na imaginação. O vento trás o clima agradável pra dentro do quarto. O tempo parece parar pra ver a beleza da chuva. Nenhum som de carro e nenhum grito desesperado de embriaguez. Apenas o ínfimo som das hélices do ventilador. Coisa tão simples que chega a ser fantástica. Vivemos sempre aliados com o tempo, parando pra ver a beleza da chuva. Caminhamos juntos na mesma direção de sempre. Uma direção inexistente que só o momento presente pode revelar. O presente, a vida presente, as pessoas presentes.

Quarta-feira, Maio 25, 2005

Poema ébrio

Festa, farra, bebedeira, promiscuidade
Fogo que arde sem se ver por efeito do álcool
Satisfações que duram até que o corpo e a mente voltem a si.
- E aí, pessoal? A “saideira”?
- Hã?
E Eva pergunta a Adão:
- Onde você colocou o berço de Jeová?

Sábado, Maio 21, 2005

A cerveja.

Quarta-feira, Maio 18, 2005

Poema vácuo

Em suma,
Bebo.
Vendo o breu,
Durmo.
Deito depressa, acordo tombando.
De acordo com as proporções magníficas do sol,
O que realmente vejo é uma profusão inigualável de complicações intestinais.