E agora, Maria José?
Enxergas apenas o chão da tua casa
Andas descalça sem sentir a latência dos teus pés
Não vês mais a escuridão se não houver velas
Por quê, Maria José?
E agora, Maria José?
Entregas tua vida à indiferença
Não sofres mais ao ver impunidade e injustiça
Não vês o vão negro do descaso
Por quê, Maria José?
Teus filhos querem ouvir tua voz, Maria José
O Mundo quer ouvir tua voz
Manifesta tua força feminina
Amarra teus punhos com os laços da coragem
Derrama teu sangue ácido cheio de ventura
És forte, Maria José?
Não digas que há cansaço, Maria José
Não decepciones aqueles que acumulam forças em ti
Aconchega-te no asfalto duro
Acostuma-te com as pedras
Devolve essas tapas na cara com a tua fúria de mulher
És forte, Maria José?
Não, Maria José. Ficaste sem ego, sem alma, sem rumo.
E agora?